segunda-feira, 6 de abril de 2009

Turismo rural pode ser opção em tempos de crise econômica

São Paulo - Descoberto na última década pelos visitantes estrangeiros e nacionais, o turismo rural foi o segmento do setor turístico que mais cresceu no Brasil desde então, com uma média de 20% ao ano. Segundo estimativa da Associação Brasileira de Turismo Rural (Abraturr), em 1994 haviam cerca de 400 empreendimentos rurais com atrativo turístico. Em 2008, já seriam cerca de 15 mil.
Mas o setor não vem atravessando uma boa fase, segundo o presidente da Abraturr, Carlos Solera. Proprietário de um empreendimento rural em Santa Catarina, ele recebeu apenas um grupo estrangeiro nos primeiros três meses deste ano. “Tínhamos uma média de três grupos por mês”. Solera atribui a diminuição da procura a dois fatores: crise econômica mundial, que afastou os estrangeiros, e o gargalo da comercialização com as agências de turismo.
“Nos últimos anos, as agências de turismo voltaram-se principalmente para os pacotes internacionais e de sol e praia. Mas agora o turista brasileiro está procurando opções mais baratas dentro do País. Pode ser uma boa hora para trabalharmos em parceria e oferecer diferenciais”, diz Solera.
Uma boa notícia para o setor foi divulgada recentemente no 31ª Encontro Comercial da Braztoa, em São Paulo. O lançamento da primeira operadora especializada em turismo rural do Brasil, a Brasil Rural, que nasceu depois de uma viagem de 16 empresários brasileiros ao norte de Portugal, este ano, no projeto Benchmarking em Turismo – Experiências Internacionais, uma parceria entre Sebrae, Braztoa, Embratur e Ministério do Turismo.
“Eu trabalho há muitos anos com turismo rural e sempre tive vontade de ter uma operadora. Em Portugal, tive a oportunidade de conhecer uma operadora portuguesa. Pude perceber na viagem que o Brasil tem grande potencial turístico no setor. Precisamos apenas nos profissionalizarmos”, disse Andréia Arantes, uma das criadoras da Brasil Rural.
A operadora nasceu com quatro produtos específicos que têm como compromisso expressar a qualidade de vida e respeito à natureza. “Queremos promover múltiplas experiências rurais no Brasil, com roteiros em 16 Estados brasileiros e em países como Portugal e Colômbia. Já estão prontos para começar a operar 13 roteiros no Brasil, fora os pacotes especiais, customizados, que podem ser contratados pelos clientes”, diz Andréia.
Os produtos se dividem em duas categorias. A primeira, 'Experiências', é constituida por momentos exclusivos - para indivíduos ou pequenos grupos - em que são propostas atividades como modelar o barro, fazer bonecas ou objetos em palha de milho ou participar de um piquenique à beira do rio. O 'Piquenique na Serra da Mantiqueira', por exemplo, custa apenas R$ 95,00, com seguro incluído.
A segunda categoria, 'Roteiros', subdivide-se em 'Naturais' e 'Natureza e Aventura', e contam com um número mínimo de participantes. A idéia é conhecer engenhos, pequenos sítios, quintas e haciendas para presenciar a produção do café, cana-de-açúcar, alimentos orgânicos, fazer cavalgadas e escaladas nas serras e montanhas, praticar arquearia e fazer passeios de bicicleta ou caminhadas.
Para Carlos Solera, a iniciativa da Brasil Rural chega na hora certa, já que o segmento passa agora por sua quarta fase, a da comercialização. “O desconhecimento não é só das agências, mas também das fazendas de turismo rural. Quem produz (empresário rural) na maioria das vezes não entende a função e trabalho dos atores da comercialização e dificilmente possui uma visão profissional do turismo. Tudo ainda é muito novo, mas gradativamente este sistema de compreensão vem crescendo”.
Das quase 15 mil fazendas que trabalham com turistas, 60% têm até 50 hectares, o que mostra a grande inserção de pequenos proprietários rurais em busca de diversificação para agregar novos valores a suas atividades tradicionais. O turismo rural, segundo o presidente da Abraturr, gera perto de 500 mil empregos diretos e indiretos no País. Destes, 35% são representados por mão-de-obra familiar e o restante por trabalhadores de origem local ou regional.
“Estes são dados importantes para que os prefeitos tomem consciência e façam políticas públicas voltadas a desenvolver o turismo em suas cidades, principalmente em regiões onde há grande concentração de empreendimentos rurais.
No próximo dia 6 de abril, Solera participa com outras 63 entidades da primeira reunião de 2009 do Conselho Nacional do Turismo. Na pauta, o corte de 85% do orçamento do Ministério do Turismo este ano.

Beth Matias - Agência Sebrae

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Tombamento de um patrimônio não impede a acessibilidade

Sempre costumo cobrar acessibilidade em todos os lugares que visito, e alguns deles apresentam a justificativa de ser um patrimônio tombado e não se poder fazer nada, pois o imóvel tem que ser preservado. Na verdade isso é mais uma desculpa, dentre as inúmeras que já existem, inventadas pela sociedade.
O pedido de tombamento de um bem de valor cultural, público ou privado pode ser feito por iniciativa de qualquer pessoa por um pedido que deve ser encaminhado ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), no caso de um tombamento federal. Também existem órgãos que tem a função de cuidar do patrimônio histórico em nível estadual e municipal. É incorreto chamar de tombamento a inclusão de um bem na lista de patrimônios da humanidade da UNESCO. A listagem pela UNESCO, consiste apenas numa classificação e reconhecimento do valor excepcional do sítio em questão, nos termos da Convenção do Patrimônio Mundial.
O tombamento implica em estabelecer regras para a propriedade, à medida que ele é protegido, você não pode fazer daquele imóvel o que quiser. Isso estabelece limites entre o desejo pessoal e o desejo coletivo. O tombamento não deve ser visto como uma medida que "engessa" e "paralisa" o local. Ele pode continuar crescendo, desde que os limites sejam respeitados. Através da Instrução Normativa nº 1 de 25 de Novembro de 2003, a presidência do IPHAN resolveu estabelecer diretrizes, critérios e recomendações para a promoção da acessibilidade. Este documento usa como referência básica a NBR9050 da ABNT e a Lei 10.098/2000 que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, onde cita no artigo 25 diz que as disposições desta Lei aplicam-se aos edifícios ou imóveis declarados bens de interesse cultural ou de valor histórico-artístico, desde que as modificações necessárias observem as normas específicas reguladoras destes bens.
Assim, constata-se que os imóveis tombados também foram incluídos entre aqueles que devem sofrer adaptações. A restrição fica por conta das especificidades do bem.
O artigo 30 do Decreto 5.296/2004 dispõe sobre a acessibilidade aos Bens Culturais Imóveis, estabelecendo que as soluções destinadas à eliminação, redução ou superação de barreiras na promoção da acessibilidade a todos os bens culturais imóveis devem estar de acordo com o que estabelece a Instrução Normativa no 1 do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, de 25 de novembro de 2003.
A Pinacoteca do Estado de São Paulo foi tombada em 1982 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT). Em março abriu ao público a galeria tátil de esculturas, onde o público com deficiência visual pode explorar e reconhecer as obras por meio do toque. Possui também recursos como piso e mapa tátil, audioguia, impressos em tinta e Braille, imagens de pinturas em tinta com linhas de contorno em relevo, além da descrição das obras. O Programa Educativo para Públicos Especiais (PEPE) desenvolveu recursos multissensoriais e lúdicos como maquetes visuais e táteis, reproduções de obras bidimensionais e tridimensionais feitas em resina acrílica e borracha texturizada, extratos sonoros relativos às obras, além de objetos e jogos tridimensionais baseados em obras originais selecionadas. Promovem cursos de ensino da arte na educação especial e inclusiva para a capacitação de educadores e profissionais das áreas de artes, museus e saúde.
Preservar um bem material é importante, mas preservar a dignidade humana é tão ou mais importante. Promover a acessibilidade e inclusão além de ser algo de grande valor para sociedade irá aumentar o fluxo de visitação nesses locais, e por consequência aumentar sua importância. Creio que isso seja tudo o que o lugar deseja, e a sociedade também.


*Ricardo Shimosakai
Agente de viagens e Consultor.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Turismo e Religião



O turismo é considerado nos dias de hoje como uma importante fonte de desenvolvimento. A institucionalização do turismo está intimamente ligada às peregrinações, que ao longo do tempo deram origem ao aparecimento das pousadas, hospedarias na beira dos caminhos, povoados, e cidades, onde os peregrinos podiam pernoitar, descansar e dispor de alimentação, bebida e até mantimentos para a continuação da viagem.
O turismo religioso é compreendido como uma atividade que movimenta inúmeras pessoas em viagens por motivos de fé e devoção a algum santo. A sua prática realiza-se de diversas maneiras: as peregrinações aos locais sagrados, às festas religiosas que são celebradas periodicamente, os espetáculos, as representações teatrais de caráter religioso, e os congressos, encontros e seminários, ligados à evangelização.
Depois de algumas análises é possível observar que o segmento tem contribuído para o crescimento das economias locais. Fatores como hospedagem, comércio, alimentação e lazer, são diretamente afetados pelo fluxo turístico, implicando na utilização do espaço e no planejamento de infra-estrutura receptiva e organização econômica.
As viagens em busca de espaços próprios para as manifestações da fé envolvem pessoas de várias culturas e diferentes nacionalidades, em todo o mundo. De posse dessa realidade, a indústria do turismo intensificou o investimento nos centros de peregrinação através de ações diretas sobre a realidade local e do uso da mídia e do marketing para incentivar o fluxo de visitantes. A partir daí, algumas regiões começaram a investir em planejamento e obras para ampliar sua capacidade de recepção e proporcionar alternativas de lazer aos turistas.
Antigamente a peregrinação estava ligada ao sentido da comunhão com o sagrado e fazia da penitência uma forma de purificação para esse encontro. Era o período em que os fiéis dedicavam o tempo e o espaço da romaria fundamentalmente para jejuns, sacrifícios, orações, cantos religiosos, pagamento e realização de promessas. Mas as peregrinações acompanharam as mudanças dos tempos e se transformaram. O sentido da peregrinação foi reinterpretado, tanto pelas pessoas como pela indústria do turismo. A partir da atribuição de novos significados, adaptados a moderna realidade do consumo, os peregrinos passaram a utilizar o momento da peregrinação, antes destinado apenas às práticas religiosas, também como um momento de lazer.
As peregrinações assumem assim, um lugar de destaque no conceito de turismo religioso porque, como qualquer viajante dos outros destinos turísticos, os peregrinos são consumidores de bens e serviços, num movimento de fluxo praticamente ininterrupto. Ainda que determinados destinos sejam mais procurados em função de datas específicas, quando se realizam festas ou espetáculos de maior apelo de atração, as principais rotas da fé mantém um movimento turístico praticamente contínuo durante grande parte do ano.
Peregrinações e festas religiosas passam, então, a serem utilizadas pelo marketing turístico, incluídas no calendário de eventos oficiais de cada estado ou região, como um produto turístico de cunho cultural e religioso. Assim, as peregrinações se tornam uma dupla fonte geradora de renda, enquanto fornecedora de consumidores em potencial e como atrativo turístico em si. Embora o caráter comercial não elimine o elemento religioso, uma vez que a participação na peregrinação decorre de uma atitude de fé, as atividades paralelas às manifestações religiosas ganham nova dimensão, como forma de atrair mais visitantes. Potenciais fontes de diversão e prazer tornam-se um atrativo a mais no circuito da fé, para entreter o visitante, prolongar a sua estadia e estimular o consumo.
Nas classes sociais mais abastadas, e com melhor nível sócio-cultural, o turismo religioso é realizado com maiores investimentos e maior duração de tempo, estando quase sempre vinculado a outra atividade simultânea, seja para aproveitar férias, visita a familiares ou lazer cultural. O conforto e o planejamento são essenciais nesse tipo de peregrinação, uma vez que o peregrino possui recursos financeiros e culturais para estabelecer o roteiro e o gerenciamento do seu tempo. Nesse caso, a penitência adquire outro sentido, podendo ser encarada como uma obrigação do fiel de conhecer e aprofundar a sua fé, através da visita aos locais considerados sagrados.
Os romeiros menos abastados encontram no divertimento proporcionado pelas romarias religiosas, em geral realizadas sob a forma de caravanas, momentos de descanso, de quebra com o cotidiano, favorável ao contato familiar e social, além é claro do fator místico-religioso. Através da realização das peregrinações e da participação nas atividades paralelas que se desenvolvem em função delas, acaba por se concretizar uma oportunidade de divertimento para aqueles que não dispõem de tempo e recursos financeiros para outras formas de viagem de lazer. A prática do lazer proporcionada pelo turismo religioso nas camadas populares faz com que o entretenimento acabe por se igualar, ou até se sobrepor, ao caráter religioso.Em geral, as peregrinações se dirigem a um santuário ou local consagrado pela religião. Cada santuário tem uma história própria que traduz a interação da fé com a cultura daquele povo. O movimento das peregrinações pode variar de direção e intensidade ao longo do tempo e por diversos fatores de influência, que sempre estarão ligados direta ou indiretamente à história da região, ou mais recentemente aos apelos dos meios de comunicação.

quarta-feira, 25 de março de 2009

RN investe R$ 9 milhões para divulgação turística


O Rio Grande do Norte quer mostrar para o mundo que tem muito mais que sol e mar para oferecer aos turistas. Somente nos primeiros meses de 2009, o investimento do Governo do Estado em campanhas de divulgação e na participação em feiras e eventos internacionais soma mais de R$ 1 milhão. O montante é parte dos R$ 10 milhões anunciados pela governadora Wilma de Faria para divulgação do destino ao longo deste ano. O objetivo, neste primeiro momento, é atrair novos públicos e chamar a atenção para outros atrativos locais, com foco nos turistas de maior poder aquisitivo, que continuam viajando mesmo nesta época de crise mundial.
O presidente da Empresa de Promoção do Turismo do Rio Grande do Norte (Emprotur), Armando José, explica que as campanhas já começaram desde dezembro e foram intensificadas em 2009, chamando a atenção para outros atrativos locais, além das belas praias e das conhecidas dunas de Genipabu. ‘‘Estamos mostrando que temos outros potenciais, apostando em destinos exóticos como Pipa, Galinhos e São Miguel do Gostoso, mas também apresentando nossa estrutura para receber eventos corporativos e para o turismo náutico, de aventura, nossa cultura, história e culinária’’, explica.
De fato, o material de divulgação internacional é bastante diversificado. Vai das Serras de Martins e Florânia às inscrições rupestres do Lajedo do Soledade, passando por praias mais badaladas como Ponta Negra, Pipa e Genipabu e pelas ainda não tão conhecidas pelos estrangeiros como Galinhos e Camurupim. A campanha inclui a divulgação de peças publicitárias em revistas de bordo de grandes companhias aéreas internacionais, em revistas e sites especializados em turismo, além da adesivagem de caminhões. O material, produzido em várias línguas, está sendo veiculado na Alemanha, Holanda, Suécia, Estados Unidos e Portugal. O custo, apenas com a produção e veiculação das peças é de R$ 650 mil.
Pela primeira vez em Natal, os noruegueses Susann e Pir Hansen confirmaram à reportagem que decidiram viajar depois que viram publicações sobre o Estado em folders e revistas especializadas em turismo. ‘‘Já estamos há duas semanas e pretendemos ficar um mês’’, afirma o casal. Eles elogiaram a infra-estrutura da cidade para receber os turistas e a segurança. ‘‘Fora do Brasil ouvimos muito falar da criminalidade, mas Natal é uma cidade tranquila, com policiais na orla, o que nos deixou muito seguros, além do clima e da receptividade do povo daqui que são muito convidativos’’, comentaram.
Já Tore Sundberg gostou tanto da cidade que decidiu morar. ‘‘Estava aposentado e buscava um lugar seguro para viver. Achei Natal a cidade perfeita. Aqui voltei a trabalhar, constituí família e hoje atuo no ramo imobiliário, mostrando o que a cidade tem para outros estrangeiros’’, comenta Sundberg, que trocou a Suécia pela Vila de Ponta Negra. E garante que não se arrepende.
Além dos escandinavos, o trabalho de divulgação também segue em outros países da Europa. ‘‘Na Espanha, por exemplo, vamos desenvolver a partir de abril palestras e workshops de reapresentação do produto Rio Grande do Norte, mostrando que além das belezas naturais, que permitem a realização de esportes náuticos e outros tipos de atividades ligadas ao turismo de aventura, estamos preparados para receber grandes eventos’’, informa Armando José, da Emprotur. Em Portugal, segundo ele, o governo patrocinou a vinda de jornalistas especializados em turismo, que produziram matérias em alguns dos principais veículos de comunicação lusitanos.
Embora a Europa seja o principal pólo emissor de turistas para o Estado, o mercado norte-americano também está merecendo atenção especial. Até julho, o Rio Grande do Norte estará estampado em anúncios publicados mensalmente na revista de bordo da American Airlines. ‘‘Nós ainda não temos voos dos Estados Unidos para Natal, mas podemos ser beneficiados pelos voos que chegam a Recife e Fortaleza e credenciar o Estado a ter sua própria linha’’, afirma a gerente de promoção internacional da Emprotur, Gina Robinson.

FEIRAS

Além das peças publicitárias, o Rio Grande do Norte tem marcado presença nas principais feiras e eventos internacionais do turismo. No início deste ano o Estado montou estandes nas feiras de Turismo de Helsink (Finlândia), Copenhagen (Dinamarca), Oslo (Noruega) e Amsterdã (Holanda). Até o final do ano, o Estado deverá participar de aproximadamente 20 eventos internacionais, além de realizar ações individuais em potenciais países emissores de turistas. A prioridade, no momento, é estimular o turismo de luxo, atendendo a uma sugestão das operadoras de turismo e após análise do mercado diante do cenário de crise mundial.
A presença no mercado escandinavo, por exemplo, já contabiliza resultado positivo. ‘‘Além das feiras, recebemos ainda grupos de jornalistas e formadores de opinião (os chamados press trips) da Escandinávia, que ajudaram a divulgar o Estado naquela região da Europa. O resultado dessas ações é que nos 17 primeiros dias do ano houve um aumento de 7% no número de visitantes da Noruega’’, aponta Gina Robinson.
Segundo a gerente, o trabalho de divulgação do Estado na Escandinávia (região que concentra um grande número de turistas de alto poder aquisitivo) deve elevar ainda o número de visitante daquela região em 2009. ‘‘Estamos fechando uma parceria com a TAP para restabelecer a conexão da Finlândia para Natal e existe um interesse da companhia em ampliar o mercado dinamarquês para o Nordeste. Em março faremos um trabalho mais intenso para divulgação da região na Dinamarca’’, adianta Gina Robinson.
Atualmente, o Rio Grande do Norte recebe três voos charters (fretados) da Argentina por semana, procedentes de Córdoba e Rosário, que estão vindo lotados. Tanto que um deles deve continuar em operação após abril, que é o período previsto para o fim das operações. Há ainda vôos semanais procedentes da Itália e da Holanda, além dos regulares vindos de Lisboa, que trazem turistas de toda a Europa, em especial Portugal e Espanha.

FONTE: Diário de Natal

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Estágio em Turismo


Eu, José da Paz Dantas, RG: 1412847, Bacharéu em Turismo pela Faculdade Católica Santa Teresinha, com registro acadêmico nº 20051004013, concluí o estágio supervisionado obrigatório na empresa “Vértice Ecoturismo”, realizado entre os dias 09/03/2008 e 25/05/2008, totalizando 300 horas e tendo como avaliador o proprietário da organização, o Sr José Maria Barros de Medeiros.
A Vértice Ecoturismo foi fundada em 1998 e sua principal meta é a satisfação total dos clientes, preocupando-se em preparar toda uma infra-estrutura para que os mesmos tenham o conforto e a segurança necessária.
A empresa tem como objetivo afastar as pessoas da agitação do cotidiano das cidades e oferecer a elas um contato mais direto com a natureza, que não deixa de ser um grande exercício onde podemos superar os nossos limites e aprendermos importantes lições para o resto de nossas vidas, pois, além de conhecer novos lugares uma aventura é sempre um aprendizado. Acreditando que a maior recompensa pelo trabalho realizado é quando no retorno de uma viagem percebe-se o sorriso estampado no rosto das pessoas e saber que a empresa contribuiu para as lembranças desses bons momentos de suas vidas.
Para que isso aconteça foram elaborados cuidadosamente todos os roteiros, fazendo com que os clientes tenham o máximo de interação com o local, e com os outros participantes da viagem.
A Vértice Ecoturismo é uma empresa especializada em roteiros ecológicos, principalmente no seridó. Na região inteira existem belezas naturais surpreendentes atraindo um grande número de pessoas interessadas em conhecê-las, porém só a aventura não é suficiente, segurança e conforto são indispensáveis nesse tipo de atividade. Os roteiros desenvolvidos pelo Vértice são bastante diversificados e em níveis de dificuldades diferenciados, proporcionando assim a participação de um público bastante variado, desde crianças, estudantes universitários, empresários, até o público da melhor idade.
Dentre os serviços oferecidos pela empresa destacamos os seguintes:

Escalada: A escalada é uma prática que utiliza técnicas e movimentos de montanhismo e tem como objetivo exigir o máximo de força e concentração do praticante, a técnica, a coragem e a força são elementos que fazem da escalada um esporte apaixonante.
Rapel: Caracteriza-se por uma técnica de descida que o praticante utiliza para vencer obstáculos como rochas, cachoeiras entre outros, com o uso de cordas e equipamentos apropriados.
Tiroleza: É um tipo de técnica usada para conduzir as pessoas de um ponto a outro em alturas diferentes fixando-se cordas entre eles. Para praticar o cliente basta escorregar pela corda preso à uma roldana e esta por sua vez presa a uma cadeirinha de rapel por meio de cordeletes de segurança.

Trekking: Consiste em caminhar por trilhas naturais, desfrutando a natureza, cercado de belas paisagens em lugares muitas vezes desconhecidos. Quem pratica o trekking tem essa oportunidade e é sem dúvida o principal motivo que faz essa atividade crescer cada vez mais. Os praticantes aliam a contemplação da natureza com os benefícios da atividade física, além de ser uma atividade que não necessita de muito recurso financeiro ela pode ser realizada em pequenos e grandes percursos e com graus de dificuldades variados, importando apenas o prazer de caminhar.

Espeleoturismo: O espeleoturismo é a pratica esportiva ou recreativa de visitação à cavernas. Nesse tipo de atividade o turista tem a oportunidade de contemplar grandes salões com suas estalactites e estalagmites, em algumas cavernas até a possibilidade de mergulho e rapel como também de encontrar inscrições rupestres já que era nessas formações que o homem pré-histórico se refugiava.
Para á pratica dessas atividades é necessário que a empresa possua instrutores capacitados como também uma série de equipamentos imprescindíveis para que ocorra tudo com segurança.

Equipamentos necessários:

- Cordas estáticas
- Cordas dinâmicas
- Mosquetões
- Freio oito
- Cadeirinhas
- Polias (roldanas)
- Cordeletes
- Fitas de segurança
- Capacetes
- Sapatilhas
- Luvas
- Recipiente para água (mochilas de hidratação, cantil)
- Pinos de ancoragem
- Barraca
- Pó de Magnésio
- Lanterna
- Bússola, GPS

A estrutura organizacional da Vértice Ecoturismo resume-se no proprietário que também é instrutor e os demais instrutores, localizada no Shopping Liberdade na rua Felipe Guerra, centro, Caicó-RN, a empresa funciona em parceria com a Vitória Régia Turismo. Essa parceria realiza-se da seguinte forma: a Vitória Régia comercializa os pacotes e a Vértice executa os serviços, assim essa união faz com que tanto a primeira não fique parada nos períodos de baixa e a segunda divulgue seus serviços.
No nosso estágio realizamos todos os tipos de atividades já mencionados, e os principais destinos foram São Vicente-RN, Barragem Gargalheiras localizada na cidade de Acari-RN e Caicó-RN. Em relação a nosso horário de estágio ele foi um pouco indefinido tendo em vista que só aconteciam as atividades quando algum grupo de pessoas se interessava e comprava um pacote.
O estágio foi bastante proveitoso, pois além de colocarmos em prática alguns conhecimentos que já tínhamos podemos aprender novas técnicas e habilidades para quem deseja praticar ou mesmo trabalhar com o turismo de aventura.
Nosso estágio terminou no dia 25 de maio de 2008, na V Feira de Negócios do Seridó, realizada na Ilha de Santana, onde no evento expomos um paredão de escalada, prática que cada vez mais vem ficando conhecida pelos amantes do turismo e da aventura, a instalação do paredão foi um acordo entre o proprietário da Vértice e a organização do evento, com o objetivo de atrair não só a população em geral como também mostrar para os empresários esse tipo de atividade que em algumas empresas já vem sendo utilizada como parte integrante das ações da organização para com seus funcionários.
Destaco o estágio todo como positivo, tendo em vista que quando terminamos automaticamente fomos convidados para fazer parte do quadro de instrutores, assim concluo que o esforço foi proveitoso para ambas as partes atingindo os objetivos propostos.

A CACHAÇA COMO PATRMÔNIO HISTÓRICO


A investigação histórica voltada para os aspectos culturais tem ganhado espaço atualmente, principalmente no que diz respeito à cultura popular.
Em meio às aceleradas transformações do mundo moderno, revolução tecnológica e processo de globalização, as tradições, costumes, e as culturas seculares estão sendo esmagadas, desaparecendo, e deixando um imenso vazio.
Existem elementos que se bem trabalhados e compreendidos podem de alguma forma contribuir para que esse quadro comece a reverter. A cachaça se encaixaria muito bem neste contexto. Resgatando a história de um povo, proporcionando um momento de entendimento e vivência adequada de nossa cultura, revivendo e contando de forma diferente o que temos de melhor, ou seja, agregar valores a comunidade por meio de informações e experiências que valorizem a história e as características culturais.
Destilado alcoólico produzido através da cana-de-açúcar, bebida genuinamente brasileira, a cachaça sustentou o país como mercadoria, moeda e alimento contribuindo para a formação de nosso mercado interno, como também esteve presente em todos os momentos de nossa história, tendo construído sua trajetória juntamente com a do Brasil.
Diante disso, é importante ressaltar que a realidade da conservação e divulgação do nosso patrimônio imaterial está um pouco distante do que se tem por ideal. Portanto é de extrema importância um estudo mais aprofundado sobre a história da cachaça para poder resgatar nossa memória fazendo com que tanto a população quanto os turistas possam conhecer e admirar nossa cultura. E é precisamente nesse sentido que a presente pesquisa pretende de forma pioneira abrir um precedente para o desenvolvimento de futuras pesquisas voltadas para o tema.
Alguns pontos que devemos abordar são:
- A importância da cachaça para a história do Brasil
- O universo sócio antropológico da cachaça.
- A cachaça como uma arte
- Brasileiro: devoto da cachaça ou cachaceiro?
- A relação da cachaça e o imaginário popular
A história da cachaça tem início juntamente com a História do Brasil, surgindo como conseqüência do interesse do açúcar produzido no país. Além dessa relação a cachaça foi agente de vários acontecimentos, desde momentos tristes à celebrações por conquistas. Às vezes, sua produção foi estimulada, outras foi proibida, mas sempre esteve presente na construção de nosso país, afirmando seu sabor e sua autenticidade.
A cachaça foi descoberta por acaso, pois, os escravos perceberam que da espuma que sobrava da garapa e era jogada nas cocheiras deixavam os animais revigorados, assim, passaram a consumir essa espuma. Chegando aos ouvidos dos senhores de escravos, que por sua vez já conheciam técnicas de destilação, decidiram aplicá-las ao mosto fermentado da cana-de-açúcar, dando origem a cachaça. Dessa forma a cachaça passou a figurar tanto na colônia, como também nas futuras conquistas e negócios do reino e em épocas mais contemporâneas. (TRINDADE, 2006.)
Segundo Marcelo Câmara (2006), a cachaça é um destilado alcoólico produzido exclusivamente através da cana-de-açúcar, bebida genuinamente brasileira que durante toda sua vida foi discriminada e perseguida, proibida pelas elites e a classe média.
Antes de ser um produto econômico, é uma das mais belas expressões da cultura brasileira. A prova da vitalidade e permanência cultural da cachaça está no patrimônio lingüístico que criou e continua a criar, existe um acervo disponível de cerca de mil sinônimos da palavra cachaça.
A degustação com certeza é uma arte, pois, constitui a mais poderosa ferramenta, o caminho mais legítimo e confiável para você conhecer a cachaça, construir sabedoria e crítica sobre a bebida. Degustar e beber são atos culturais distintos.
Os passos de uma boa degustação são: o ambiente, o copo, a mente o corpo e a boca, as mãos, os olhos, o nariz, o gole o gosto e avaliação.
Com relação à cultura o Ministério do Turismo (2006), afirma que a diversidade da cultura brasileira tem sido aclamada pela sociedade como uma das principais características do patrimônio do país. O turismo pode ser capaz de promover e preservar nossa cultura, nesse caso a cultura e o turismo caminham juntos, e bem articulados podem motivar os turistas a se deslocarem especialmente com a finalidade de vivenciar aspectos e situações que podem ser considerados particulares.
O turismo cultural compreende as atividades turísticas relacionadas às vivências do conjunto de elementos significativos do patrimônio histórico cultural, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura.
Considera-se patrimônio histórico e cultural os bens de natureza material e imaterial que revelam ou expressam a memória e a identidade das populações e comunidades. Valorizar e promover o patrimônio significa difundir o conhecimento sobre esses bens e facilitar seu acesso e a utilização de moradores e turistas.
Para que exista uma conscientização maior por parte da população é necessário que a mesma compreenda o valor histórico da cachaça, vendo-a como um símbolo de nacionalidade e da nossa identidade cultural, valorizando-a de acordo com sua importância para a formação e o desenvolvimento do Brasil, mostrando que mesmo com as diferenças sociais existentes a cachaça funciona como elo cultural podendo ser relacionada com o imaginário popular, fazendo de sua produção uma arte.
Compreender os aspectos que envolvem a cachaça, interpretando e lançando um novo olhar acerca da história da mesma, fazendo uma releitura, uma nova forma de observar seus valores culturais que fazem parte da nossa identidade nos leva a uma nova concepção do que é a cachaça.Essa interpretação possibilita ainda o interesse tanto da população local como também do turista pelo patrimônio cultural, resgatando e incentivando a preservação dos costumes e da cultura regional.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

SERRA DO MULUNGU


Localizada aproximadamente 5 km da cidade de São João do Sabugi, sendo a parte norte pertencente ao Sr. Saulo Wanderlei, a parte oeste ao Sr. Zezé Filó e a parte Sul ao Sr. Chico Filó.
Com aproximadamente 500m de altitude a Serra do Mulungú é cercada de varias histórias, desde promessas e místicas à fatos reais que até hoje ainda não foram esclarecidos.
O nome Mulungú, tem origem de um poço que existia no pé da serra e que ali encontrava-se um pé de mulungu, na época não existia as divisões das terras e os vaqueiros soltavam o gado para pastar misturando-se assim as rezes de todos os fazendeiros da região e eles utilizavam a hora da bebida do gado, que acontecia justamente no poço do mulungú para se reunirem, separarem o gado e continuar cada um sua luta. Como o ponto de encontro ficava no pé da serra a mesma passou a se chamar Serra do Mulungú.
O cruzeiro que vemos na parte mais alta da serra já é o terceiro que foi colocado em substituição dos dois anteriores, deteriorados com a ação do tempo, o primeiro foi colocado no início do século passado por pagamento de promessa, promessas que continuam até hoje, pois, podemos ainda encontrar alguns ex-votos na região do cruzeiro.
Há relatos que por volta do ano de 1700, foram enterradas nas proximidades da serra seis pessoas que teriam morrido de um determinado tipo de praga, como os moradores da região tinham medo de contrair a doença mandaram enterrar os mortos no referido local. (Olavo de Medeiros Filho)
Com relação a mortes na serra , no dia 13 de dezembro de 1982, um senhor de oitenta anos conhecido como Colar, que era fogueteiro, saiu da cidade de São João do Sabugi com destino a serra para soltar alguns foguetões em comemoração ao dia de Santa Luzia, depois seguiria para residência de Chico Filó, pois, era bastante amigo da família. Realmente os fogos foram ouvidos da residência de Chico Filó más até hoje o velho Colar nunca apareceu por lá, acredita-se que ele pode ter se perdido e morreu por cima da serra e o fato de nunca ter sido encontrado pode-se atribuir aos inúmeros precipícios e desfiladeiros existentes no local, que são de difícil acesso impossibilitando buscas mais minuciosas.
Quem tem a oportunidade de subir a serra pode observar a enorme criação de cabras todas pertencentes a Chico Filó, inclusive ele chega a brincar dizendo que quem conseguir pegar uma ele dá de presente, tendo em vista que elas são adaptadas ao terreno e só uma pessoa muito hábil conseguiria tal façanha.
Existem várias cavernas na serra, algumas ainda inexploradas, mas uma chamou a atenção do proprietário e o mesmo a batizou como a furna dos morcegos hematófilos (que gostam de sangue), devido a grande concentração da espécie no local.
Tendo em vista a grande incidência de animais mordidos de morcegos em sua propriedade, Chico Filó resolveu, em companhia de Flávio Gorgônio (veterinário), investigar de onde vinham os animais, já que expedições anteriores não obtiveram sucesso e para surpresa encontraram uma gruta com aproximadamente 1.000 morcegos e a partir desse dia começaram a controlar a peste.
Todas essas curiosidades, lendas e acontecimentos tornam a Serra do Mulungú um atrativo não só turístico como também pedagógico e foi todo esse potencial que levou a serra a ser cotada como uma das sete maravilhas do Rio Grande do Norte.

Fonte: Chico Filó

José da Paz Dantas (Paizito)
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